Maria João Worm
MARIA JOÃO WORM
a z e r t
caixas de luz e colagens
"Muitas vezes tenho-me encontrado na vida através da construção de histórias, conjugando palavras e imagens.
Inesperadamente, sem ser necessário recorrer a uma ficção, recebi um presente oferecido por uma amiga, consistindo numa caixa contendo várias folhas de papel químico. Nestas, encontrei algumas já utilizadas, sobretudo as que estavam batidas pela máquina de escrever, através das quais consegui aceder à coincidência entre palavra e imagem.
Para partilhar esta experiência deslumbrante construí várias caixas de luz.
Seguidamente, a partir das folhas que separavam o papel químico e ficaram impregnadas de texturas e cor, fiz uma série de colagens cujos títulos em sequência enunciam um poema que pode ser visitado nesta exposição"
(MJW)
A acompanhar a exposição, o livro Correspodência recém apresentado na Drawing Room Feira de Desenho Contemporâneo 2026, reproduz os trabalhos em mostra. Editado pelo Quarto de Jade (chancela editorial que a artista partilha com Diniz Conefrey), é uma publicação assinada, com uma tiragem limitada a 30 exemplares e estampas de cor coladas manualmente, à imagem do que sucedia em antigos livros de Arte.
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Maria João Worm nasceu em Lisboa, em 1966.
Da sua formação destaca-se a passagem pela Cerâmica, Escultura e Pintura, tornando-se a linogravura, o recorte, a colagem, a edição, vias fundamentais no seu trabalho artistico.
Colabora em revistas, livros e jornais, publicando ilustrações e narrativas gráficas. Em 2012 recebeu o Prémio Nacional de Ilustração, com o livro «Os Animais Domésticos» (ed.Quarto de Jade, 2011).
Das exposições de pintura e gravura destacam-se A colecção particular de “A”, em 2006, na galeria Monumental, A Fonte das Palavras, em 2013, na Casa das Histórias Paula Rego e agora Azert, na Tinta nos Nervos, que celebra os 20 anos da primeira mostra referida, onde a artista lançou questões estruturantes da sua pesquisa que continuam a ser trabalhadas e transformadas: a cativação da luz e manipulação da sombra e ocultação, a fuga à bidimensionalidade e relação com a natureza, o enredo ficcionado (ou quase...), o maravilhamento com acidente e a descoberta dos pequenos acontecimentos silenciosos do quotidiano.