Gonçalo Van Zeller
Gonçalo Van Zeller
(Português - Lisboa, 1963)
Às portas da Madragoa - Desenhos inéditos
21 de Julho – 13 de Agosto de 2022
“Caminho não de lábios mas de sombras
sobre a raiz do lápis sobre o pulso
caminho ou não
no círculo
dos passos
e esta é a frase do caminho
ou a lucidez do braço”
António Ramos Rosa
O objectivo de um artista, segundo Vasari, era cumprir dois tipos de composição (componimenti): um arranjo visual de formas (componimenti d’arte), e uma história inventiva (componimenti d’istorie). Em ambos os casos, estarão presentes os ingredientes da invenzione, ou o modo como o intelecto concebe o arranjo visual das formas, e o disegno, a capacidade prática do artista manifestar a invenzione no arranjo visual.
Citar Vasari em 2022 poderá surgir como uma espécie de curiosidade académica, alertas que estamos a toda uma liberdade contemporânea na criação das formas, temas, estratégias de comunicação e circulação das imagens. Mas independentemente da disciplina em questão, e até da circunstância, queremos acreditar que Vasari ainda tem, ou sempre terá, razão quando fala do desenho como o “pai” das artes (hoje mais atomizadas que no século XVI, sem dúvida, mas onde o cerne se mantém). Para mais, face à prática e abordagem de Gonçalo van Zeller, sentimos uma admiração particular para com um saber oficinal antigo e bem ancorado na tradição ocidental fundada no Renascimento, e que nos permite ver na sua prática aquela de um verdadeiro polimata.
Os desenhos que nos oferta nesta lavra inédita foram criados num desejo de estreitarmos os laços da comunidade local a que pertencemos. Nós e o artista. A Tinta nos Nervos, sendo uma livraria-galeria aberta a títulos e artistas internacionais, vive na Madragoa, um dos bairros populares mais característicos da cidade de Lisboa. Gonçalo van Zeller tem o seu atelier no mesmo bairro. Estes desenhos são fruto de uma pesquisa, périplo, investigação mas também transformação (invenzione) das ruas, moradias, habitantes da Madragoa. E ao serem recombinados enquanto série, os desenhos dispostos tanto funcionam como história, ainda que aberta à leitura individual de cada visitante e observador, como peças inconjuntas, não menos capazes de convidar a uma entrada particular.
Nos últimos anos, um pouco por todo o mundo, a ideia de “portas fechadas” tornou-se algo expectável e significativo. Nós próprios tivemos de o fazer. Estamos num momento de retorno. Estas portas, com invenzione, estarão para sempre aberta.
Gonçalo Van Zeller
(Português - Lisboa, 1963)
Estudou em jovem no Saint Julian’s School. Mestre em Anatomia Artística pela FBAUL, na qual também se havia especializado em desenho, passou ainda pelo IADE, agregando formações em design e multimédia.
Trabalhando com fotografia, escultura, ilustração, pintura, design, direcção de arte, e muitas outras disciplinas, desde os meados dos anos 1980, e fundando empresas próprias, é no desenho que encontra a sua base de trabalho, partida e pensamento. Como diz, “desenhar é compreender”.
Eis alguns dos prémios com que foi galardoado:
2012 – Arte e Olimpiadas
2011 – Ordem dos Advogados
2004 – LIA - London awards
2003 – Épica awards – Paris
2002 – Cannes Lions
2001 – Communication Arts - Londres
2000 – Cannes Lions
1999 – New York Festivals
1998 – Golden Awards of Montreaux
Participou em inúmeras exposições colectivas e individuais, com as mais diversas produções da sua carreira.
Site do artista