Francisco Sousa Lobo
Aldeamentos
Pranchas de BD originais, estudos e documentação
Francisco Sousa Lobo
18 de Julho – 5 de Setembro de 2026
Uma equipa de investigação em arquitectura e um autor de BD juntaram-se para entrevistar pessoas que tivessem estado nos aldeamentos criados pelo exército português em África. As pessoas investigadoras realizaram entrevistas em Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, e Brasil, e um dos resultados dessas entrevistas é o livro Aldeamentos de Guerra (ed. Chili com Carne, 2026). Uma reflexão sobre o que aconteceu antes e depois do 25 de Abril de 1974 na ruralidade africana.
“Há algo aqui que me faz pensar no conceito de ‘intrahistória’ de Miguel de Unamuno: aquela vida subterrânea e quase invisível que subsiste por baixo dos grandes acontecimentos históricos. Porque este livro não se interessa prioritariamente pelas operações militares ou pelas narrativas oficiais do império e da independência. Interessa-se antes pela textura da vida quotidiana no interior da guerra: pelas cozinhas improvisadas, pelas escolas abertas debaixo das árvores, pelos caminhos entre a tabanca e o quartel, pelas hortas, pelos silêncios, pelas migrações, pelos regressos difíceis. Interessa-se pela forma como os grandes acontecimentos históricos foram vividos, sofridos, improvisados e recordados por aqueles que normalmente permanecem fora dos arquivos centrais da história!”, refere Ramon Sarró no posfácio do livro.
Outro contributo a essa reflexão é a exposição que Francisco Sousa Lobo apresenta na Tinta nos Nervos, com as pranchas originais e digitalizações que ampliam significativamente páginas do livro, envolvendo o espectador-leitor no pensamento e processo de construção do dispositivo narrativo. Organizado em colunas tripartidas na galeria, revela, em contínuo, três etapas distintas do trabalho do artista, três camadas que permitem ver, separadamente, os desenhos originais, traçados a tinta preta, as pranchas com mancha para introdução de cor e o resultado final, onde se articulam texto e imagem na recomposição da arte editada. Nas vitrinas, mostram-se os cadernos de esquisso e livros de referência que serviram de base ao projecto.
Paralelamente, e do mesmo modo, dispõem-se as pranchas de Palácio #5, a mais recente publicação da série auto-editada por Francisco Sousa Lobo (2020-2026)..
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- Francisco Sousa Lobo (n.1973) -
“Sou autor de banda desenhada formado em artes plásticas, banda desenhada e arquitectura, e ensino teoria crítica, banda desenhada e ilustração em Londres e Lisboa.
O meu trabalho, que conta agora com vinte publicações, flutua entre o documental, a autobiografia e a ficção. Aldeamentos inscreve-se no lado ensaístico e documental da minha obra.
O meu trabalho tem sido publicado e divulgado, com recepção crítica, em Portugal, Reino Unido, Espanha, países francófonos, Itália, Croácia, Letónia e América Latina.
Preocupa-me a sobreposição e conjugalidade entre forma e conceito em banda desenhada, relação entre imagem e texto, e uma narratologia intuitiva, que não se fixa em modelos rígidos mas antes explora terrenos híbridos.
A minha banda desenhada vem da vida e do real, da leitura e da própria prática da BD. É simples na acessibilidade e relação com formas anteriores e contemporâneas da BD, mas complexa nas próprias referências que absorve ou revela.
É comum eu escolher um tema forte ou próximo de uma radicalidade humana qualquer, de um limite da experiência humana. A banda desenhada, como eu a entendo, é outra coisa que não um subgénero literário, é uma forma de narração visual com propriedades e códigos específicos, em que o terreno virgem, do ponto de vista autoral, é claramente presente e visível. Há muito para fazer.”